Tenha Fãs · Artigos

Quase quarenta anos de estrada

Atendimento e experiência do cliente são a mesma coisa?

Definitivamente não. E confundir as duas coisas leva empresas a medir o que não importa, na hora errada.

Por José Ricardo Noronha7 de setembro de 20265 min de leitura

Atendimento e experiência do cliente são a mesma coisa? Definitivamente não.

Eu comecei a trabalhar aos dezessete anos. Hoje estou com cinquenta e quatro, quase quarenta anos de estrada, dos quais mais de trinta dedicados ao mundo da educação e ao mundo das vendas. E posso te dizer com tranquilidade: essa confusão é uma das mais comuns e uma das mais caras que eu encontro nas empresas.

Não é má vontade. É uma falha de entendimento sobre a diferença entre uma coisa e outra.

Atendimento é um ponto. Experiência é a soma.

Atendimento é um ponto da jornada. Uma ligação, um balcão, uma resposta no WhatsApp, uma visita de vendedor.

Experiência é a soma da jornada inteira que o cliente vive com você.

Um é a fotografia. O outro é o filme.

A jornada começa muito antes do que você imagina

Você há de concordar comigo que o cliente vive uma miríade de experiências desde o momento em que começa a ter contato com a nossa marca.

Pode ser pela recomendação de um amigo. Pode ser pela internet. Pelo seu site. Por uma visita à loja. Pela visita de um vendedor da sua empresa. E assim por diante.

Repare que boa parte disso acontece antes de existir qualquer atendimento. A experiência já começou, e a sua empresa nem sabe.

O que eu aprendi no Disney Institute

Não por acaso, a Disney é uma das empresas mais citadas ao longo de todo o Tenha Fãs. Fiz vários treinamentos no Disney Institute, e uma das coisas que aprendi lá é que a jornada vivida pelo cliente precisa ser desenhada de forma intencional, do começo ao fim.

É o que eles chamam de três Ps: pessoas, processos e cenários. Não são três iniciativas separadas. São três engrenagens que precisam girar juntas em cada ponto da jornada.

Uma recomendação pessoal

Muitos brasileiros têm a oportunidade singular de realizar o sonho de visitar a Disney. Quando os seus filhos estiverem mais crescidos e você quiser viver uma experiência ainda mais rica, procure também fazer um dos cursos de curta duração do Disney Institute. Muda a forma como você enxerga o próprio negócio.

Pontinhos verdes e pontinhos vermelhos

A imagem que eu uso nos treinamentos é essa. Ao longo da jornada, cada ponto de contato vira um pontinho verde ou um pontinho vermelho.

Pontinho verde é o momento que soma. Pontinho vermelho é a etapa que trava, frustra ou decepciona.

O nosso trabalho é construir, de forma intencional, a maior quantidade possível de pontinhos verdes. E reduzir de forma drástica os vermelhos.

Quanto mais pontinhos verdes ao longo da jornada, maior a tendência de que o índice de satisfação e a experiência vivida com a gente sejam muito mais positivos.

E é aqui que a maioria erra o NPS

Se experiência é a soma da jornada, medir a satisfação de um único ponto de contato responde muito pouco.

Você pode ter um atendimento nota dez no telefone e uma experiência péssima, porque o produto atrasou, a cobrança veio errada e ninguém avisou nada.

Na Paixão por Vendas, a recomendação é sempre a mesma: meça o NPS ao final da experiência, não no meio dela.

O Net Promoter Score aplicado logo depois de uma ligação mede a ligação. Aplicado ao final da jornada, mede o que de fato importa.

Todo mundo constrói pontinhos verdes

Então nunca confunda atendimento pontual, que é um ponto da jornada, com experiência do cliente, que é a soma de tudo o que ele vive com você, com o seu produto, com a sua solução e com a sua empresa.

E lembre: todos nós somos verdadeiramente responsáveis por construir, de forma intencional e pessoal, a maior quantidade de pontinhos verdes possível. Não é papel do atendimento. É papel de quem vende, de quem entrega, de quem fatura, de quem programa, de quem lidera.

Esse é um dos grandes temas de Tenha Fãs. Eu escrevi o livro para ser um manual de encantamento, com provocações em torno da importância de trabalhar a jornada como um todo, e não um pedaço dela de cada vez.

Tenha fãs, porque quem tem cliente é o seu concorrente.

José Ricardo Noronha, o Zé Vendedor

José Ricardo Noronha, conhecido como Zé Vendedor, é palestrante, professor e consultor, e está entre as maiores referências em Atendimento de Excelência e Vendas Consultivas do Brasil. São mais de 30 anos em vendas e 12 anos dedicados a desenvolver equipes comerciais dos maiores grupos empresariais do país. Fundador da Paixão por Vendas e autor do best-seller Vendas. Como eu faço?